domingo, 11 de janeiro de 2026

Quando a memória constrói uma casa

 Há lembranças que não se apagam. Elas não ficam guardadas apenas na cabeça — ficam no corpo, no jeito de olhar, na forma de sentir o mundo. Quando escrevi minha autobiografia, percebi que não estava apenas contando fatos. Eu estava reconstruindo os lugares onde vivi por dentro.

Em um dos trechos do livro, escrevo:

“Antes mesmo de subirmos ao altar, já havíamos adquirido nossa casa — simples, mas carregada de sonhos, promessas e esperanças. Localizada em um bairro novo, na divisa de Volta Redonda com Barra do Piraí, aquele lar ainda inacabado parecia nos sussurrar: aqui construiremos nossa história, tijolo por tijolo, dia após dia.”

Essa casa não era apenas um endereço. Era o início de uma vida inteira. Cada parede levantada, cada porta instalada, cada detalhe improvisado carregava mais do que cimento e madeira — carregava o desejo de pertencimento, de estabilidade, de futuro.

Escrever sobre isso hoje é como voltar a caminhar por aqueles cômodos ainda vazios, cheios de planos. É perceber que, mesmo quando a vida nos leva por outros caminhos, algumas construções nunca desmoronam. Elas permanecem como um abrigo interno, um lugar onde a memória pode sempre repousar.

Meu livro nasceu desse impulso: não deixar que essas casas, essas pessoas e esses sentimentos desapareçam no silêncio. Registrar é uma forma de existir. Lembrar é uma forma de permanecer.

Se você também carrega dentro de si lugares que já não existem no mapa, mas ainda vivem na memória, talvez minhas páginas conversem com você.

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 Há lembranças que não se apagam. Elas não ficam guardadas apenas na cabeça — ficam no corpo, no jeito de olhar, na forma de sentir o mundo....